Oi gente! Hoje tem resenha de uma leitura que demorei para trazer a resenha, mas que finalmente chegou.


Título Original: Veil of Time
Autora: Claire R. McDougall
Editora: Jangada
Páginas: 368
Ano: 2017

A medicação para a epilepsia mantém Maggie num estado permanente de torpor, mas não consegue aliviar sua dor por ter perdido a filha em decorrência da mesma doença. Com o fim do seu casamento e o filho mais velho num colégio interno, Maggie se muda para uma casa de campo nas ruínas de Dunadd, o local histórico que um dia foi a sede da realeza da Escócia. Tudo muda em sua vida após uma convulsão, e Maggie desperta num vilarejo dentro dos muros de Dunadd do século VIII. Mesmo sem saber se isso realidade ou apenas uma alucinação causada pela doença, ela é atraída pela presença de Fergus, irmão do rei e pai de Illa, uma menina que tem uma semelhança impressionante com a sua falecida filha. Mas, com as demandas do presente chamando-a de volta, conseguirá Maggie deixar para trás o príncipe escocês que já a chama de meu amor?

Primeiramente, devo dizer que gosto de histórias que envolvam viagem no tempo. Acho um tema muito legal para se pensar. "Véu do tempo" nos conta a história de Maggie, que sofre de epilepsia, perdeu uma filha que também possuía através de uma convulsão, vê o filho em um colégio interno e está recém-divorciada. Ela se refugia em Dunadd, onde passou a infância para escrever uma tese sobre bruxas. Sem entender muito bem (e nem nós, leitores) começa a ter "sonhos" toda vez que tem uma convulsão, de que está em Dunadd do século VIII. Maggie conhece uma druidesa, Sula, e tenta se comunicar com seu gaélico moderno, ela observa que está em um tempo muito distante: além do idioma, os costumes, a cultura, a comida são outros. Além de haver um rei, Murdoch. Mas é em Fergus, irmão do rei, que Maggie presta atenção.

Tive sonhos antes, no rescaldo das convulsões: já discuti teologia com a rainha Maria da Escócia, que não era bem o que a história retrata. Passeei ao longo das praias de Santa Helena com Napoleão, que insistia em dizer que estava sendo envenenado. Mas nada me afetou tanto quanto ver Dunnad dessa maneira, com cabras amarradas e crianças correndo de pés descalços, com grandes ondas de percussão e canto, e ao fundo de tudo isso, um murmúrio baixo que soava como um didjeridu. (p. 25)

Quando não está tendo convulsões, a personagem conhece melhor seu vizinho, Jim, que é historiador e bem mais velho que ela. Maggie inclusive reluta em contar para Jim sobre as convulsões, mas cada vez que retorna descobre algo da história e é com Jim que ela tira suas dúvidas, além de precisar desabafar. A relação entre os dois é bem construída, porém, no século VIII a sua com Fergus é bem mais: ele é viúvo, que não se casou novamente por pensar na falecida esposa, mas que se sente extremamente atraído por Ma-khee, como é pronunciado o nome da mocinha. Além disso, Fergus tem uma filha, Illa, que é muito parecida com a filha Ellie, que Maggie perdeu. As coisas em Dunadd vão se complicando com a chegada iminente de um terremoto e de uma guerra com os pictos, povo que antes vivia bem com os escotos. Maggie sofre muitas vezes por querer voltar para os "sonhos" e até induz as convulsões ao não tomar os remédios. Outro ponto também é que ela está com cirurgia marcada para o fim do seu "sofrimento".

- Acho que na sua terra você é uma rainha. Fugiu dessa casa real e ainda teme ser capturada. Por essa razão, você não diz nada sobre esse lugar de onde veio. - Ele colocou uma coroa imaginária na cabeça dela. - Isso é o que eu acho. Ma-khee riu e sacudiu a cabeça. (p. 268)


A obra lembra muito "Outlander" que é acabou sendo adaptada em uma série, que comecei a assistir a pouco tempo. Porém, é diferente do sentido de que Maggie vem e volta "no tempo". Ela vê algo em Dunadd e quando retorna ao presente pode pesquisar e descobrir com a ajuda de Jim. É assim, aliás, que ela percebe que de 736 para lá não há registro de reis em Dunadd e faz de tudo para ajudar Fergus. Porém, Maggie ainda tem Graeme, o filho ainda vivo e precisa decidir se viverá no mundo do sonho, ou construirá uma nova história com o filho adolescente. É interessante notar que, depois de todo sofrimento que passou com a perda da filha e o casamento frustrado, Maggie pode se superar na Dunadd do século VIII.



A narração é intercalada em primeira pessoa, por Maggie, e em terceira pessoa. A leitura engata após umas ações ocorrerem e a capa é simplesmente o retrato do dilema que a personagem principal vive. Além disso, a cada começo de capítulo há um relógio, para nos lembrar que o tempo está passando. Sobre o porquê das convulsões a levarem para viajar no tempo, há algumas dicas sobre isso, citando inclusive Eisten. O final deixa uma ponta solta no ar, pelo menos para mim. Não sei se a autora pretende lançar uma continuação. Super indico a leitura!

"Eu suspiro. Ele tem razão. Parece que desperdiçamos a maior parte da vida tentando não morrer. Mas, no fim, a morte acontece de um jeito ou de outro. O tempo é uma medida tão inútil para quantificar qualquer coisa... O máximo que você pode dizer é que nascemos e que morremos. O que vem no meio é uma pequena pausa. Na grande expansão do universo, a pausa nada mais é do que algumas respirações. Tentamos fazer com que isso signifique alguma coisa, acrescentando-lhe anos, mas os anos não a tornam maior. Estamos aqui, partimos. Outra coisa qualquer toma o nosso lugar."


6 Comentarios

  1. Nossa Ju que linda história, adorei conhecer mais o enredo, achei tão delicada, qro ler com toda ctz!
    Bjs!

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  2. Juh!
    Que livro mais interessante!
    Viver no isolamento e com epilepsia, a princípio seria um grande problema, porém seus sonhos a levam para uma realidade paralela, onde pode aprender muito sobre magia e é considerada uma druída, adoro livros com esse tema.
    Desejo um final de semana de luz e paz!
    “Quem já passou por essa vida e não viveu, pode ser mais, mas sabe menos do que eu...” (Vinicius de Moraes)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE JULHO 3 livros, 3 ganhadores, participem.
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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  3. Que história forte e que toca a gente. A capa é linda, bem chamativa, estimula a gente a ler. Gostei bastante e com certeza vou procurar para ler.

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  4. Também sou apaixonada por livros com viagem no tempo e este, parece ter uma boa leitura. Acho que a protagonista mesmo vivendo uma aventura no passado deve decidir viver o presente com o filho e o visinho, estou certa? Fiquei pensanso nesse final meio solto, será que teremos uma continuação? É esperar pra ver, né?

    Beijos

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  5. Também gosto de histórias com viagem no tempo, realmente o livro lembra bastante Outlander (mesmo que até agora eu só tenha assistido a série), gostei também do livro ter esse tema com bruxas, é uma coisa que também adoro e quanto a capa, admito que não achei muito bonitinha.
    Beijos!

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  6. Olá!
    Que livro maravilhosos!
    Eu amo viajem do tempo, esse tema é maravilhoso pra mim!
    A premissa do livro é incrível, tem uma história bem interessante e sempre bom conhece um pouco mais sobre esse livro.

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